26 de outubro de 2010

Superbactéria KPC - Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase

 Superbactéria  KPC -  Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase
A superbactéria KPC  é assunto que  requer  vigilância e cuidados por parte dos hospitais, equipes de saúde e  pacientes usuários do sistema .
Em minhas pesquisas pela internet encontrei um bom texto de Silvio Possa do blog Segurança do Paciente - "Darwin e a Superbactéria" e também, uma entrevista   da SIS-Saúde onde a especialista  Prof.Simone Ulrich Picoli comenta   pesquisa publicada recentemente  sobre a "
Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase"  (KPC)
imagem:upira.com.br



Vamos aos textos...


 

Texto 1-  "Darwin e a Superbactéria" - por Silvio Possa

O desenvolvimento de superbactérias não é uma notícia nova para os cientistas e profissionais de saúde. Elas vem se desenvolvendo desde que foi descoberto o primeiro antibiótico por Alexandre Fleming em 1928.Quando surgiu a primeira bactéria resistente à penicilina estava criada a primeira superbactéria, pois ainda não haviam outros antibióticos para combatê-la.


É a 
lei de Darwin em ação – a seleção natural de bactérias, na qual uma bactéria continua desenvolvendo variantes que são menos suscetíveis a antibióticos, enquanto pesquisadores médicos continuam desenvolvendo novos antibióticos que podem matá-las.

O uso indiscriminado de antibióticos, tanto pelos usuários que compram direto na farmácia sem passar pelo médico, assim como prescritos pelos próprios médicos que receitam desses medicamentos muitas vezes sem uma indicação precisa, é um grande incentivador da maior velocidade no desenvolvimento de superbactérias.


Os hospitais são um local propício para o surgimento das superbactérias, pois juntam um grande número de pacientes infectados por bactérias e o uso deantibióticos de última geração. Assim vão sendo geradas novas cepas de bactérias resistentes aos antibióticos utilizados naquele ambiente e derrepente nenhum deles funciona mais para curar a infecção pela nova Super.


Para lidar com esse problema que esta diretamente ligado à Segurança dos Pacientes os hospitais possuem os Serviços de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH)...
imagem:nucleoeducacao-hgvc.blogspot.com
...responsáveis pela garantia da correta utilização dos antibióticos, pela orientação para práticas que reduzam a exposição dos pacientes às bactérias e pelos controles epidemiológicos – informações sobre porque, onde, quando e que tipos de infecção hospitalar estão ocorrendo.

O trabalho das SCIHs vai desde incentivar os profissionais e usuários dos serviços a higeinizar as mãos de forma habitual e rotineira, antes e depois de tocar o paciente, até o controle e orientação do uso dos antibióticos de última geração pelos médicos, passando pelos controle dos processos de esterilização de equipamentos e materiais utilizados nos procedimentos invasivos. 


As informações sobre a ocorrência das infecções hospitalares dão uma visão do esforço feito por todos os profissionais de cada instituição para o controle desse grave problema e a divulgação pública desses indicadores contribui para que os usuários conheçam melhor o resultado dessas ações.


A nova superbactéria do momento (KPC), que vem se espalhando pelos hospitais brasileiros...

imagem:blog.targethealth.com
...gerou uma série de medidas a serem anunciadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aumento do número de dispensadores de alcóol gel para higienização das mãos, ampliação do controle dos antibióticos por parte das SCIHs entre outras.
imagem:acessemed.com.br

O fortalecimento das SCIHs nos hospitais brasileiros é a melhor estratégia para controlar a Lei de Darwin nas populações bacterianas hospitalares e amplia asegurança do paciente nos serviços de saúde


Silvio Possa é médico  formado pela PUC-SP, com especialização em Administração Hospitalar, Saúde Pública, Gestão Pública, Gestão de Planos de Saúde e em Administração de Empresas.Atua como  Diretor contratado pelo Hospital Albert Einstein.


Texto 2 - Entrevista  sobre a KPC

SIS.Saúde  entrevista a Profa.Simone Ulrich Picoli  especialista em KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase)  
Profa. Simone Ulrich Picoli
Devido à constatação de casos de Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC) nos hospitais do Brasil e, inclusive, do Rio Grande do Sul, a equipe do SIS.Saúde foi conversar com uma especialista na área, a Profa. Simone Ulrich Picoli, mestra em Microbiologia; professora adjunta da Federação de Estabelecimento de Ensino Superior em Novo Hamburgo (FEEVALE).

O grupo de pesquisa da Profa. Simone recentemente publicou uma pesquisa a respeito no Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, que compreendeu uma avaliação de hospitais de Porto Alegre e Grande Porto Alegre (clique aqui para consultar a pesquisa**). .

Entrevista

Profa. Simone, em uma pesquisa que a Profa. publicou recentemente, os dados foram levantados no ano de 2008 nos hospitais de Porto Alegre e grande Porto Alegre. Primeiramente, gostaríamos de saber se houve continuidade nessa pesquisa.

Sim, a pesquisa teve continuidade. Num primeiro momento, o estudo foi desenvolvido com amostras de dois hospitais (um de Porto Alegre e outro da Grande Porto Alegre). Contudo, a continuidade do estudo se deu apenas no hospital de Porto Alegre.
O artigo publicado, no qual não foram encontradas amostras positivas para KPC, compreendeu coletas de agosto a novembro de 2008. Posteriormente, as coletas de isolados bacterianos de Klebsiella pneumoniae se estenderam até junho de 2009. Com essas outras amostras foi realizada nova pesquisa da enzima KPC e encontrou-se o resultado positivo para o fenótipo desta enzima (dados não publicados – artigo submetido para publicação em fevereiro de 2010).


Em segundo lugar, gostaríamos que comentasse a importância desse tipo de pesquisa para a população.

Considerando recentes confirmações de infecções causadas por bactérias produtoras de KPC em diferentes localidades do país, reforça-se a importância de sua pesquisa, pois, quando um hospital identifica os pacientes infectados, torna-se possível um controle mais adequado, reduzindo a sua disseminação.

Por outro lado, é previsível que a população em geral fique preocupada diante dos relatos de presença dessa bactéria nos hospitais brasileiros. Todos devem conhecer os modos de se prevenir e também devem saber quem são as pessoas mais vulneráveis a adquirir infecção pela bactéria. Hábitos simples como lavagem rigorosa das mãos e aplicação de álcool 70% são muito eficientes como medidas preventivas. Outra informação válida é lembrar que a bactéria oferece maior risco para os indivíduos que já estão hospitalizados e que estão com o sistema imunológico comprometido.


Na ocasião de sua pesquisa, não foram indetificadas amostras com bactérias superresistentes. No entanto, a Unifesp diz ter identificado amostras no RS recentemente. Ao que a Profa. atribui a esses casos recentes no RS, ou seja, quais os fatores que podem ter propiciado um surgimento mais acentuado de bactérias superresistentes no Estado.

Na fase inicial da pesquisa (de agosto a novembro de 2008), realmente não encontramos a KPC em qualquer um dos dois hospitais avaliados. Contudo, os recentes casos descritos no RS podem ter origem em pacientes colonizados pela KPC vindos de outros Estados, onde a bactéria já estava circulando e que, posteriormente, desenvolveram a infecção. Efetivamente, os microrganismos são incapazes de se deslocar de um local a outro e necessitam ser “transportados”; esse transporte normalmente ocorre através das pessoas (sadias ou não).

Na sua pesquisa, é realizada a sugestão de "vigilância para o mecanismo de resistência emergente do Brasil (KPC)". Comente a respeito, no sentido do protocolo que foi sugerido.

Na ocasião do trabalho publicado, o Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) ainda não trazia recomendações a respeito de carbapenemases e por essa razão foram utilizados os critérios do Centers for Disease Controle and Prevention (CDC, 2008). A partir de 2010, o CLSI passou a fazer recomendações nesse sentido.

De fato, todos os isolados de enterobactérias com sensibilidade reduzida a carbapenens associada à redução de sensibilidade a cefalosporinas de terceira geração (ceftazidima ou cefotaxima) merecem atenção quanto à produção de carbapenemases.

Assim, o teste de sensibilidade a antibióticos (antibiograma) realizado em condições adequadas, que demonstre resultados de diâmetro de inibição para ertapenem menor ou igual a 21 mm juntamente com comportamento intermediário ou resistente para ceftazidima ou cefotaxima (cefalosporinas de terceira geração), é sugestivo de carbapenemase. Para complementar a identificação laboratorial fenotípica da enzima, pode-se usar agentes inibidores da mesma (ácido fenilborônico). Deve-se ter cautela em relação ao teste de Hodge (sugerido pelo CLSI) devido aos resultados falsos positivos (uma vez que o teste é positivo para outros mecanismos de resistência a carbapenens e não exclusivamente para KPC). De qualquer maneira, é muito importante confirmar a suspeita de KPC através de técnicas de biologia molecular e manter contato com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar mediante o achado de um isolado suspeito de conter a enzima (a fim de controlar sua disseminação).

Saiba mais sobre a superbactéria KBC***

A resistência bacteriana aos antimicrobianos está aumentando ao longo do tempo. Em geral, as bactérias multirresistentes estão restritas ao ambiente hospitalar. Porém, o que tem gerado a preocupação dos especialistas é que, mais recentemente, a disseminação dessas bactérias tem surgido, em alguns locais do mundo, em lares de idosos e até na comunidade (LUKE et al., 2009).

A resistência adquirida por essas bactérias incide devido a uma mudança em sua composição genética, de forma que as drogas, até então efetivas, não sejam mais ativas. Em geral, isso ocorre devido à superexposição dessas bactérias aos agentes antimicrobianos, tal como os antibióticos.
(LUKE et al., 2009).

Dentre as bactérias superresistentes, a Carbapenemase Klebsiella Pneumoniae (KPC) é a mais comumente encontrada no mundo, incluindo o Brasil. Os fatores de risco para as infecções por KPC incluem internação prolongada, unidade de terapia intensiva (UTI), dispositivos invasivos, imunodepressão e o uso de vários antibióticos (NORDMANN et al., 2009).

Os locais do mundo onde se verificam uma situação endêmica e epidêmica pela KPC e suas variantes incluem: Grécia, Israel, Colômbia, Porto Rico, locais específicos da China e Estados Unidos (ver figura abaixo). No Brasil, recentemente, observa-se um aumento dos casos em hospitais, porém, ainda são casos isolados.
Fonte: NORDMANN et al., 2009.

Fonte: NORDMANN et al., 2009.
Referência para a entrevista**
DIENSTMANN, R. et al. Avaliação fenotípica da enzima Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) em Enterobacteriaceae de ambiente hospitalar. J. Bras. Patol. Med. Lab. [online], v. 46, n. 1, pp. 23-27, 2010.
Outras referências***
NORDMANN, P. et al. The real threat of Klebsiella pneumoniae carbapenemase-producing bacteria. Lancet Infect. Disease, v. 9, n. 4, pp. 228-236, abr. 2009,
CHEN, L. F. et al. Pathogens Resistant to Antibacterial Agents. Infect. Disease Clin. North America, v. 23, n. 4, pp. 817-845, dez. 2009.
Autor: SIS.Saúde 
Fonte: Vide referências                                                                        

Fontes :
(texto 1) 
http://www.saudebusinessweb.com.br/blogs/blog.asp?cod=185

(texto 2)
http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=8493

Pesquisa: Avaliação fenotípica da enzima Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) em Enterobacteriaceae de ambiente hospitalar.- publicada pelo Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial em fevereiro de 2010 - 

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1676-24442010000100005&script=sci_arttext&tlng=e

 
 

Imagens internet



















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